
🔥 RECIFE ESTÁ ENTRE AS CIDADES MAIS VIOLENTAS DO MUNDO
Por Luiz Barbosa
📍 Feira de Santana, Recife, Fortaleza, Salvador, Maceió, Porto Velho, Manaus e Caruaru expõem o colapso da segurança pública no Brasil.
Por Luiz Barbosa
Especial para o DigAí Pernambuco
Publicado em 1º de junho de 2025
O Brasil volta a figurar com destaque negativo no cenário internacional da violência urbana. Segundo o relatório anual da ONG mexicana Conselho Cidadão para a Segurança Pública e a Justiça Penal, oito cidades brasileiras estão entre as 50 mais violentas do mundo em 2024.
Os dados, atualizados em fevereiro de 2025, apontam para uma realidade alarmante, que clama por atenção urgente da sociedade, dos gestores públicos e das instituições de justiça.
A cidade mais violenta do país é Feira de Santana, na Bahia, que registrou uma taxa de 55,63 homicídios por 100 mil habitantes, ocupando o 22º lugar no ranking global. Não é um caso isolado. A violência se alastra como uma epidemia silenciosa que corrói o tecido social brasileiro.
Logo em seguida, a Região Metropolitana do Recife, capital pernambucana, aparece com 41,88 mortes violentas por 100 mil habitantes, o que a coloca na 31ª posição mundial. Embora tenha experimentado momentos de redução nos índices criminais com programas como o Pacto Pela Vida, Recife volta a flertar com os altos índices de letalidade.
As demais cidades brasileiras no ranking são Fortaleza (CE), Salvador (BA), Maceió (AL), Porto Velho (RO), Manaus (AM) e Caruaru (PE). Juntas, essas oito cidades contabilizaram 6.451 homicídios apenas em 2024, representando uma média de 38,55 mortes violentas por 100 mil habitantes.
📉 Cidades em colapso: por que falhamos tanto?
A presença de tantas cidades brasileiras em um ranking que, em teoria, deveria envergonhar os países mais instáveis do planeta — como Honduras, México e El Salvador — revela uma verdade incômoda: o Brasil normalizou a barbárie.
A impunidade, a ausência do Estado nas periferias, a guerra de facções, o tráfico de drogas, a crise carcerária e a falta de políticas sociais eficazes são fatores que compõem esse cenário de calamidade. Mas há também outro elemento muitas vezes esquecido: a banalização da violência como parte da vida cotidiana.
Em bairros populares dessas cidades, o medo rege a rotina, escolas fecham mais cedo, comerciantes vivem sob ameaça e jovens crescem sem perspectivas, muitas vezes recrutados por facções como única alternativa econômica.
🔍 Feira de Santana: o retrato do abandono
Feira de Santana, com pouco mais de 600 mil habitantes, é a segunda maior cidade da Bahia. Importante polo comercial e entroncamento rodoviário, sofre com o avanço do crime organizado, corrupção institucionalizada e falhas crônicas na segurança pública.
Em 2024, foram mais de 330 homicídios registrados. A maioria das vítimas era de jovens negros, moradores das periferias. Em comum, além da idade, tinham o mesmo destino: a morte por armas de fogo em confrontos não investigados.
Enquanto o número de mortes cresce, o número de investigações concluídas cai. Segundo dados do Ministério da Justiça, apenas 8% dos homicídios cometidos na cidade resultaram em condenações judiciais no ano passado.
🧨 Recife: metrópole sitiada
A região metropolitana do Recife, que inclui cidades como Olinda, Jaboatão e Paulista, voltou a figurar entre as mais violentas após um breve período de queda nos índices. O recrudescimento do tráfico, a disputa de territórios entre facções como o Comando Vermelho e o Bonde dos 40, e o desmonte de políticas públicas preventivas contribuíram para essa escalada.
Em algumas áreas, as facções ditam regras, proíbem festas, impõem toques de recolher e até julgam conflitos da comunidade. “A polícia só entra aqui para recolher corpos”, disse uma moradora do Ibura, que preferiu não se identificar.
🌍 O mundo está olhando. E o Brasil?
A lista da ONG mexicana serve de alerta global, mas também de constrangimento nacional. Enquanto países latino-americanos como Colômbia e Chile vêm investindo em modelos de segurança cidadã, com foco em inteligência, policiamento comunitário e reinserção social, o Brasil ainda insiste em modelos repressivos, mal planejados e desarticulados.
A ausência de uma política nacional integrada de segurança agrava a situação. Municípios tentam combater a violência com recursos próprios, enquanto Estados brigam com a União por repasses que nunca chegam ou são mal aplicados.
💡 É possível virar esse jogo?
Sim. Mas é preciso vontade política, investimento em inteligência e prevenção, diálogo com a sociedade civil e, principalmente, coragem para mexer em estruturas que lucram com a insegurança.
Experiências exitosas, como a transformação de Medellín (Colômbia) e o modelo de segurança cidadã de Bogotá, mostram que nenhuma cidade está condenada à violência eterna. O Brasil precisa olhar para essas referências, adaptar suas realidades e agir com urgência.
📣 A violência tem endereço, cor e classe
Mais de 75% das vítimas de homicídio nas cidades brasileiras do ranking são homens negros, pobres e jovens entre 15 e 29 anos. A violência no Brasil não é aleatória. Ela tem alvo e contexto social muito bem definidos.
Enquanto as elites vivem em condomínios fechados com segurança privada, os mais pobres enfrentam o terror diário das balas perdidas, da falta de acesso à Justiça e da desesperança.
🤳 E nas redes, o grito por justiça ecoa
A publicação do ranking causou uma onda de comoção e revolta nas redes sociais. Milhares de internautas cobraram ações dos governos e denunciaram o abandono das periferias.
Hashtags como #PazNasPeriferias, #SegurançaJá e #BrasilSangra ganharam força no X (antigo Twitter), Instagram e TikTok. Influenciadores, artistas e ativistas têm usado suas plataformas para jogar luz sobre o tema.
🧭 O que vem pela frente
Com a proximidade das eleições municipais de 2026, o tema da segurança pública voltará ao centro do debate político. A pergunta que fica é: os candidatos terão coragem de enfrentar o problema com profundidade ou vão repetir promessas vazias e populistas?
Enquanto isso, em cidades como Feira de Santana, Recife, Maceió ou Caruaru, mães continuam enterrando filhos e jovens continuam morrendo sem nome e sem justiça.
🔔 O Brasil precisa despertar. O futuro está morrendo no presente.
📌 Luiz Barbosa é administrador, consultor político e social, com atuação em políticas públicas e campanhas de conscientização social no Nordeste brasileiro.
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