BANDEJA DE OVOS COM MACONHA APREENDIDA EM PRESÍDIO DE PE
Por Luiz Barbosa
Igarassu (PE) — Um caso inusitado e preocupante marcou a manhã desta quarta-feira (4) no Presídio de Igarassu, na Região Metropolitana do Recife. Um entregador foi detido ao tentar entrar na unidade com cerca de 210 gramas de maconha escondidas em uma bandeja de ovos. A apreensão foi realizada por equipes do Departamento Estadual de Prevenção e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), que já investigavam o suspeito há alguns dias.
De acordo com o delegado Vitor Freitas, responsável pela operação, o homem não possuía nenhum parente detido na unidade, o que acendeu o alerta das autoridades. Ele costumava fazer entregas regulares de cestas básicas no local, uma prática comum, mas que vinha levantando suspeitas entre os policiais penais.
> “Ele já era alvo de investigação. Chamava atenção o fato de não ter familiares presos e, mesmo assim, frequentar tanto o presídio”, destacou o delegado.
Além da bandeja de ovos recheada com droga, o suspeito transportava uma cesta básica completa, o que, segundo o Denarc, é um dos métodos mais tradicionais utilizados por criminosos para tentar introduzir entorpecentes nas unidades prisionais.
Outro fato que chamou a atenção foi o histórico do entregador. Conforme apurado, ele faz uso de tornozeleira eletrônica por envolvimento anterior em crime contra mulher, o que aumenta ainda mais a gravidade da situação.
A tentativa frustrada soma-se a outro episódio semelhante ocorrido na semana anterior, quando 378 gramas de substância semelhante à maconha foram apreendidas pela equipe do presídio. Na ocasião, o entorpecente estava escondido em caixas de aveia levadas por um homem que afirmou ter recebido R$ 150 pelo serviço e alegou não conhecer os destinatários.
Os dois casos reforçam a complexidade do desafio enfrentado pelas forças de segurança no controle das unidades prisionais e na repressão ao tráfico de drogas que atua dentro e fora dos muros. As abordagens, segundo o Denarc, estão sendo intensificadas com o uso de scanners, cães farejadores e investigações preventivas.
Repressão com inteligência
O delegado Vitor Freitas reforça que o trabalho não se resume à fiscalização física. “Estamos atuando com base em inteligência. Mapeamos as rotas, os métodos e as pessoas envolvidas. Isso permite ações mais eficazes e resultados concretos”, pontua.
Com o aumento das apreensões nas últimas semanas, o Denarc acredita que há uma tentativa coordenada de abastecer pontos específicos do presídio, controlados por organizações criminosas. A investigação vai continuar para identificar os destinatários internos da droga e a estrutura de apoio fora do presídio.
O entregador detido nesta quarta-feira foi encaminhado à delegacia, onde deve responder por tráfico de drogas e tentativa de ingresso de substância entorpecente em estabelecimento prisional, crimes com penas que, somadas, podem chegar a mais de 10 anos de reclusão.
Comunidade deve colaborar
As autoridades reforçam o pedido de colaboração da população, principalmente daqueles que atuam em serviços de entrega. “É fundamental que as empresas e os próprios profissionais estejam atentos. Envolver-se com esse tipo de crime pode arruinar a vida de qualquer cidadão”, alerta Freitas.
A Secretaria de Ressocialização de Pernambuco informou que vai intensificar as fiscalizações e manter o uso do escaneamento corporal e de objetos como prática padrão para todos os visitantes e fornecedores.
Com o aumento dos casos, o Presídio de Igarassu se torna símbolo de um problema nacional: a vulnerabilidade dos sistemas penitenciários ao tráfico de drogas e à atuação de facções, mesmo com a vigilância constante.
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Redação: Luiz Barbosa
Jornalismo com responsabilidade e olhar social sobre os bastidores da segurança pública.
📍 Pernambuco | 📆 05 de junho de 2025

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