
CIENTISTAS NUCLEARES DO IRÃ MORREM EM ATAQUE DE ISRAEL
Por Luiz Barbosa – DigAí Pernambuco
TEERÃ (IRÃ) – Um ataque aéreo coordenado por Israel atingiu alvos estratégicos em várias regiões do Irã entre a noite desta quinta-feira (12) e a madrugada desta sexta (13), no horário local. A ação militar, considerada uma das mais contundentes ofensivas israelenses dos últimos anos, teve como alvos principais instalações nucleares e figuras-chave do regime iraniano.
Segundo a agência oficial iraniana IRNA, entre os mortos estão o comandante-chefe da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), Hossein Salami, o comandante sênior Gholamali Rashid, além dos renomados cientistas nucleares Fereydoun Abbasi e Mohammad-Mehdi Tehranchi. Os nomes têm destaque dentro do complexo programa nuclear iraniano e também representam pilares ideológicos e militares do regime.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) confirmaram, em comunicado oficial, que a operação visou “alvos militares e nucleares em diferentes áreas do Irã”, incluindo a capital, Teerã. “Em pouco tempo, dezenas de jatos concluíram a primeira etapa [do ataque], que incluiu alvos nucleares em diferentes áreas do Irã”, afirmou o exército israelense.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, justificou a ofensiva como uma medida preventiva. Segundo ele, o Irã estaria próximo de concluir o desenvolvimento de armas atômicas. “Esta foi uma operação preventiva. O Irã teria urânio enriquecido suficiente para nove ogivas nucleares e não poderíamos esperar. A operação continuará por tantos dias quanto forem necessários para remover esta ameaça”, declarou em pronunciamento.
Embora ainda não haja números oficiais de mortos e feridos, analistas internacionais apontam que o impacto do ataque vai além das perdas humanas. A morte de figuras centrais da Guarda Revolucionária e de cientistas ligados ao programa nuclear representa um duro golpe para o regime teocrático do Irã.
Escalada de tensão
A ação marca uma nova e perigosa escalada no já tenso relacionamento entre Israel e Irã, cujas rivalidades geopolíticas e religiosas vêm se acirrando ao longo das últimas décadas. O governo israelense tem denunciado há anos o avanço do programa nuclear iraniano, enquanto Teerã afirma que seus projetos têm fins exclusivamente pacíficos.
Com a morte de altos comandantes da IRGC, considerada uma das mais poderosas forças militares do Oriente Médio, o equilíbrio regional pode entrar em uma fase de instabilidade ainda maior. O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o ataque, mas fontes ligadas ao governo prometeram uma “resposta severa”.
Impacto global
A comunidade internacional observa com preocupação o desenrolar dos acontecimentos. O Conselho de Segurança da ONU deve se reunir em caráter emergencial nas próximas horas para discutir a situação. Países como China e Rússia pediram contenção de ambas as partes, enquanto os Estados Unidos expressaram apoio ao direito de autodefesa de Israel, sem confirmar qualquer envolvimento na operação.
A morte de Fereydoun Abbasi, que já foi chefe da Organização de Energia Atômica do Irã e sobreviveu a uma tentativa de assassinato em 2010, e de Mohammad-Mehdi Tehranchi, acadêmico ligado à Universidade Islâmica Azad, representa um duro golpe para a elite científica iraniana.
Possíveis desdobramentos
Especialistas preveem que o Irã deverá retaliar nos próximos dias, o que pode acirrar ainda mais os conflitos em zonas de influência como Síria, Líbano e Iraque, onde milícias apoiadas por Teerã operam com força. A ofensiva também ocorre em um momento de alta tensão global, com diversas crises geopolíticas em curso.
Este é um dos raros momentos em que Israel assume formalmente um ataque em território iraniano, sinalizando uma mudança de postura diante do avanço nuclear da república islâmica. Até o fechamento desta matéria, o Ministério da Defesa do Irã não havia divulgado um balanço oficial das perdas.
Enquanto o mundo aguarda os próximos capítulos dessa ofensiva de alto impacto, fica evidente que o conflito entre Israel e Irã acaba de entrar em uma nova e perigosa fase.
Luiz Barbosa – Especial para o DigAí Pernambuco
13 de junho de 2025

Deixe um comentário