
META TEM ATÉ 24H PARA ENTREGAR DADOS DE MAURO CID
Por Luiz Barbosa – DigAí Pernambuco
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a empresa Meta, responsável pelo Instagram, forneça em até 24 horas todas as informações relacionadas ao perfil identificado como “@gabrielar702”. A conta estaria supostamente ligada ao tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, e é apontada nas investigações da Polícia Federal como um dos canais usados para compartilhar mensagens relacionadas à suposta tentativa de golpe de Estado.
A decisão de Moraes atende a um pedido da Polícia Federal, que identificou indícios de que o perfil em questão teria sido utilizado por Cid para disseminar conteúdos considerados parte da articulação golpista investigada no inquérito das milícias digitais. A Meta deverá fornecer dados como IPs de acesso, geolocalização, histórico de postagens, interações, mensagens privadas e informações cadastrais da conta.
Segundo fontes ligadas ao inquérito, a conta “@gabrielar702” foi rastreada a partir de cruzamentos de dados de mensagens interceptadas no celular de Mauro Cid, apreendido durante as operações anteriores. A PF acredita que a conta era usada para divulgar conteúdos estratégicos em apoio a narrativas antidemocráticas, incluindo a deslegitimação do sistema eleitoral e a incitação contra os poderes da República.
O despacho de Moraes enfatiza a urgência da medida, justificando o curto prazo de 24 horas para a entrega dos dados. De acordo com o ministro, a celeridade é fundamental para preservar as provas digitais e evitar a destruição de evidências que possam comprometer o avanço das investigações.
Mauro Cid já é alvo de diversas apurações em curso, incluindo o caso das joias sauditas, a venda de presentes recebidos por Bolsonaro no exercício do cargo e a falsificação de cartões de vacinação. Agora, ele também figura entre os principais investigados na trama que buscava reverter o resultado das eleições de 2022, com apoio de setores das Forças Armadas e de influenciadores digitais bolsonaristas.
A conta “@gabrielar702” estava ativa até recentemente, mas passou a operar de forma restrita após vir à tona nos autos do processo. Analistas de redes sociais indicam que perfis como esse fazem parte de uma tática comum em ambientes digitais: o uso de pseudônimos e identidades falsas para operar fora do radar das autoridades.
A Meta, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso. Em outras ocasiões, a empresa tem reiterado sua colaboração com investigações judiciais, desde que cumpridas as exigências legais.
Especialistas em direito digital e segurança da informação afirmam que a medida reforça a atuação do STF no combate ao uso das redes sociais para fins ilícitos, especialmente em contextos de ameaça à ordem institucional. “A quebra de sigilo digital é uma ferramenta poderosa, mas exige responsabilidade e base legal sólida. No caso das investigações contra Cid, os elementos até aqui apresentados parecem preencher esses requisitos”, avaliou a jurista Ana Paula Diniz, em entrevista ao DigAí Pernambuco.
O caso se soma a uma série de decisões recentes do STF que visam desarticular o chamado “ecossistema da desinformação” – um conjunto de atores, canais e recursos digitais mobilizados para atacar a democracia e fomentar o descrédito das instituições.
Com o prazo se encerrando em 24 horas, a expectativa agora recai sobre a Meta. Caso não cumpra a ordem judicial, a empresa poderá ser multada ou responsabilizada civil e criminalmente, conforme previsto na legislação brasileira.
A investigação avança em meio ao aprofundamento das apurações sobre o núcleo militar e civil que teria atuado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo fontes ligadas à PF, novas revelações devem surgir nas próximas semanas, com base no material digital já apreendido e em colaborações premiadas em negociação.
Enquanto isso, a conta “@gabrielar702” passa a ser mais um elo na cadeia de conexões que sustenta as suspeitas de uma articulação antidemocrática coordenada, com potencial de impacto político profundo.
Luiz Barbosa – DigAí Pernambuco
Jornalismo independente com o olhar crítico sobre o Brasil e o Nordeste.

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