
CORRENTISTAS DA CAIXA DENUNCIAM SUMIÇO DE DINHEIRO
Por Luiz Barbosa – DigAí Pernambuco
Uma nova onda de instabilidade digital em serviços bancários públicos está gerando apreensão entre brasileiros. Depois de episódios recentes envolvendo atrasos nos pagamentos do INSS, agora é a Caixa Econômica Federal que vira alvo de críticas. Desde a manhã de domingo (15), diversos correntistas têm relatado que valores enviados por Pix foram descontados de suas contas, mas simplesmente desapareceram — sem chegar ao destinatário e sem qualquer registro nos extratos.
O problema ocorre justamente em um momento crítico: nesta segunda-feira (16), estão programados os pagamentos do Bolsa Família e do abono salarial do PIS, beneficiando milhões de brasileiros em situação de vulnerabilidade social.
Nas redes sociais, usuários da Caixa expressaram frustração e preocupação com o que consideram um “apagão digital”. Alguns relataram prejuízos com contas atrasadas e a impossibilidade de comprar itens básicos, como alimentos e remédios. “Transferi R$ 320 via Pix para meu irmão comprar o gás de cozinha. O dinheiro sumiu. A Caixa nem responde”, disse Rosilene Maria, moradora da Zona Norte do Recife.
Outros relataram que tentaram refazer as transações, acreditando em erro de digitação, mas viram novos valores serem debitados sem sucesso na entrega. “Fiz o Pix três vezes. O dinheiro saiu, mas ninguém recebeu nada. Agora estou com a conta zerada e sem explicação da Caixa”, lamentou o microempreendedor autônomo José Wellington, de Caruaru.
A Caixa Econômica Federal reconheceu, por meio de nota, que houve instabilidade em alguns de seus aplicativos no domingo, mas afirmou que “os serviços foram restabelecidos e estão operando normalmente”. Sobre os valores sumidos, o banco informou que “eventuais pendências de transações serão regularizadas”.
A explicação, no entanto, não tranquilizou os correntistas. Muitos alegam que, mesmo com os sistemas aparentemente funcionando, as transferências continuam falhando nesta segunda-feira (16). A ausência de informações claras ou canal direto de suporte agrava ainda mais a sensação de insegurança.
Timing preocupante
A coincidência do problema com o calendário de pagamentos sociais levanta suspeitas sobre a capacidade da Caixa de garantir estabilidade operacional em datas de alta demanda. Com cerca de 21 milhões de famílias aguardando o Bolsa Família e milhões de trabalhadores dependentes do abono do PIS, falhas como essa têm impacto direto no cotidiano de quem vive com pouco.
“É um desrespeito com os mais pobres. A gente já vive no limite, e quando o dinheiro some sem explicação, parece que estamos sozinhos”, afirmou Adriano Nascimento, beneficiário do Bolsa Família em Garanhuns.
Órgãos de defesa do consumidor reagem
Entidades como o Procon-PE e a Defensoria Pública de Pernambuco informaram que vão monitorar a situação e cobrar explicações formais da Caixa. “O Pix é um serviço instantâneo. Se há falhas recorrentes, os consumidores devem ser informados de forma imediata, clara e transparente”, afirmou a coordenadora do Procon-PE, Ana Paula Medeiros.
A recomendação para os usuários prejudicados é documentar as tentativas de transferência, salvar os comprovantes e registrar queixas formais no site da Caixa, no Banco Central e no Procon local.
Banco Central em silêncio
Até o fechamento desta matéria, o Banco Central, responsável pela regulamentação do Pix, ainda não havia se manifestado sobre o problema. A ausência de um posicionamento nacional aumenta a pressão sobre a Caixa e levanta dúvidas sobre a estabilidade do sistema em datas críticas.
Crise de confiança
Para muitos correntistas, o episódio representa uma crise de confiança. “Não é só o dinheiro que some. É a confiança que vai embora. Se o banco público não dá garantia, quem dá?”, questiona o agricultor João Nunes, de Petrolina.
A Caixa prometeu regularizar os casos, mas ainda não definiu um prazo para devolução dos valores ou compensação. Enquanto isso, para milhares de brasileiros, a vida continua à espera de um Pix que deveria ser instantâneo — mas que virou dor de cabeça.
Luiz Barbosa é editor do blog DigAí Pernambuco e acompanha os impactos das políticas públicas no cotidiano do povo nordestino.

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