📈 VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS CARROS ELÉTRICOS NO BRASIL

Por Luiz Barbosa

  1. Introdução

O Brasil vive uma transformação acelerada em sua mobilidade urbana e rodoviária. Após décadas dominado por veículos a combustão, o setor elétrico — formado por veículos 100% elétricos (BEV) e híbridos (HEV e PHEV) — vem ganhando força: vendas batem recordes, fábricas se adaptam e consumidores passam a considerar a transição para uma mobilidade mais limpa.

  1. O crescimento das vendas – números que impressionam

2.1. Recordes recentes

Em maio de 2025, foram vendidos 16.641 veículos eletrificados, alta de 12,7 % em relação a maio/2024 (13.612) e 22,3 % no comparativo anual .

No acumulado de janeiro a maio, foram 71.324 unidades vendidas, um aumento de 19,5 % sobre o mesmo período de 2024 .

No 1º quadrimestre de 2025, a alta foi de 6,6 %, com 54,6 mil veículos eletrificados vendidos, ante 51,2 mil no ano anterior — um crescimento de 180 % em relação a 2023 .

2.2. Expansão da frota

Em 2024, o Brasil registrou 177.358 veículos eletrificados (BEV+PHEV), um salto de 89 % sobre 2023 .

Projeções indicam que, em 2025, o número pode ultrapassar 335.000 unidades circulando no país .

Híbridos plug-in (PHEV) representam metade das vendas no 1º quadrimestre, crescendo 91 % ano a ano, com 27,4 mil unidades .

2.3. Penetração no mercado

BEVs representaram 31,3 % das vendas de eletrificados em maio (aprox. 6.969 unidades) .

Estima-se que até 5 % das vendas de veículos novos em 2025 sejam totalmente elétricas, alcançando o chamado “ponto de inflexão” .

  1. Fábricas, investimentos e política industrial

3.1. Produção nacional

A BYD planeja produzir até 300 mil veículos por ano em sua futura planta em Camaçari (BA), com conclusão adiada para final de 2026 por problemas trabalhistas .

O Programa MOVER, do governo Lula, subsede ao Rota 2030, com R$ 19,3 bilhões em incentivos, impostos verdes e estímulos à produção nacional de elétricos .

Além da BYD, Stellantis (com a marca Leapmotor), Volkswagen, GM, Nissan e Renault anunciaram investimentos que ultrapassam R$ 30 bilhões desde 2023 .

3.2. Importações

Em 2025, cerca de 200 mil veículos elétricos serão importados — 8 % de todas as novas matrículas —, com destaque para marcas chinesas BYD e GWM, que já dominam 80 % do mercado local .

Alguns importadores aproveitam a cota de isenção de impostos até julho/2025 .

A alíquota de importação vai subir de 10 % (atual) para 35 % até 2026, para favorecer a produção local .

  1. Vantagens dos veículos elétricos

4.1. Financeiras

Energia elétrica é muito mais barata que gasolina e diesel, proporcionando até 72 % de economia em custos de viagem .

Menos componentes móveis = menos manutenção: sem troca de óleo, menos freios gastos por conta da frenagem regenerativa .

4.2. Ambientais

Zero emissões locais de CO2 e poluentes.

Mesmo incluindo a produção de baterias, veículos elétricos geram metade das emissões de GEE ao longo da vida em comparação a carros a gasolina, no ciclo médio .

No Brasil, com matriz energética 80–83 % renovável, reduções são maiores: até 84 % na fase de uso .

4.3. Desempenho

Aceleração instantânea, rodagem silenciosa e condução confortável .

Possibilidade de recarga com energia solar ou eólica, reduzindo ainda mais a pegada de carbono .

  1. Desafios e desvantagens

5.1. Alto custo inicial

Preço de aquisição segue elevado, devido ao custo das baterias e novas tecnologias .

Apesar da queda global nos preços, o investimento inicial ainda é barreira .

5.2. Autonomia e recarga

Autonomia geralmente menor que a dos carros a combustão, exigindo planejamento .

Infraestrutura de recarga ainda deficitária: 1 ponto para cada 27 veículos eletrificados — metas recomendam 1 por 10 .

5.3. Tempo de recarga

Carregadores rápidos disponíveis, mas recarga em tomada comum pode levar várias horas .

5.4. Cadeia local ainda incipiente

Fábricas e cadeia de insumos estão em implantação; a depender de importações e investimentos de fabricantes estrangeiros .

  1. Comparativo em tabela

item Carro elétrico (BEV/PHEV) Carro a diesel/gasolina

Custo por km Muito mais baixo devido à eletricidade e menor manutenção Alto e volátil, sujeito ao mercado internacional
Emissões locais Zero (BEV) / baixas (PHEV) Altas emissões de CO₂ e poluentes
Autonomia Média de 300–500 km por carga; depende da rede de carregamento 600–800 km; ampla rede de postos
Manutenção Menos frequente e simples Trocas de óleo, filtros, escapamento etc.
Preço de compra Maior, embora com quedas tendenciais Geralmente menor, mais acessível
Tempo de “abastecer” 30 min (rápido) ou horas (doméstico) 5 min para encher o tanque
Infraestrutura Em expansão (12 mil pontos); ainda inferior Rede consolidada em todo país

  1. Olhando para o futuro

As projeções globais apontam vendas de EVs ultrapassando 20 milhões em 2025 (~25 % do total de carros novos) .

No Brasil, tendência indica eletrificação irreversível — com BEVs batendo 5 % das vendas já no segundo semestre de 2025 .

O aumento da oferta de modelos (ex.: BYD Dolphin, Volvo EX30, Renault Kwid E‑Tech) diversifica opções para consumidores .

Programas como MOVER e incentivos fiscais devem atrair mais investimentos na cadeia produtiva nacional .

  1. Conclusão

O crescimento dos veículos elétricos no Brasil combina avanços tecnológicos, subsídios governamentais e mudanças na cadeia global. Com maior conscientização ambiental e economia de longo prazo, muitos consumidores já consideram a transição. Ainda assim, desafios como preços, autonomia e rede de recarga precisam de atenção para que a virada seja completa.

A curto prazo, os híbridos plug-in representam uma ponte eficaz entre os modelos a combustão e os totalmente elétricos. A médio e longo prazo, com mais produção nacional, infraestrutura robusta e incentivos coordenados, o Brasil pode acelerar sua jornada rumo a estradas mais verdes.

Por:
Luiz Barbosa, do DigAí Pernambuco.

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